Oh, hoje está impossível suportar meus parentes e amigos,
que como eu já confessei outrora, são massificados corintianos! É simplesmente
intangível tecer uma conversação decente nos arredores do meu lar.
Quando eu era um massificado levado pela massa
futebolística, o meu sonho era que o Corinthians fosse campeão da Libertadores!
Cheguei inclusive a ir em um recanto de massificação religiosa (igreja, para os
leigos) e fiz uma promessa de que cortaria fora um naco de minha própria carne caso
o time vencesse tal campeonato!
Massificado! Massificado! Massificado!
Graças aos deuses intelectuais que encontrei nos livros (Em “O
Mercador de Veneza” para ser mais exacto) descobri que minha promessa não era válida,
pois eu apenas prometi a carne, sem sangue. E eu não conseguiria cortar um
pedaço de carne sem derramar meu cultural sangue.
Hoje, estou de luto. De luto por todos os meus amigos e
irmãos que não foram tocados pela beleza da cultura e ainda continuam escravos
da massificação futebolística!
Vou dormir com os fones de ouvidos escutando lindas músicas
de Los Hermanos, abraçado ao meu livro preferido de Olavo Bilac.
Segue abaixo um poema dele, para inspira-los, caros amigos
que estão sofrendo tanto quanto eu, a suportar esta terrível noite!
Poesia parnasiana é o máximo!
Massificação futebolística é o mínimo!
Ciclo, Olavo Bilac
Manhã. Sangue em delírio, verde gomo,
Promessa ardente, berço e liminar:
A árvore pulsa, no primeiro assomo
Da vida, inchando a seiva ao sol... Sonhar!
Dia. A flor - o noivado e o beijo, como
Em perfumes um tálamo e um altar:
A árvore abre-se em riso, espera o pomo,
E canta à voz dos pássaros... Amar!
Promessa ardente, berço e liminar:
A árvore pulsa, no primeiro assomo
Da vida, inchando a seiva ao sol... Sonhar!
Dia. A flor - o noivado e o beijo, como
Em perfumes um tálamo e um altar:
A árvore abre-se em riso, espera o pomo,
E canta à voz dos pássaros... Amar!
Tarde. Messe e esplendor, glória e tributo;
A árvore maternal levanta o fruto,
A hóstia da idéia em perfeição... Pensar!
A árvore maternal levanta o fruto,
A hóstia da idéia em perfeição... Pensar!
Noite. Oh! Saudade!... A dolorosa rama
Da árvore aflita pelo chão derrama
As folhas, como lágrimas... Lembrar!
Da árvore aflita pelo chão derrama
As folhas, como lágrimas... Lembrar!

Olá, boa noite.
ResponderExcluirCreio que o melhor é ir dormir com fones de ouvido mesmo porque são poucos os que foram tocados com a beleza da cultura e o que reina no nosso país é o futebol.
Passa lá: www.aspirantenerd.wordpress.com