quinta-feira, 21 de junho de 2012

Revelação cultural do dia: Um passado corintiano!


Venho por via deste para um desabafo acerca de minha pessoa.
Quinta feira (hoje, para os leigos) lá estava eu no Starbucks ainda tentando recuperar minha dignidade perdida para a horda de... de... (oh, é até difícil pronunciar)... corintianos que invadiram os meus aposentos esfregando em minha cara sua felicidade massificada e portanto, vã!
Porém, agora a pouco encontrei com um ser que ousou ser meu amigo no passado, e várias lembranças me afloraram à pele.
Vou descrever minimamente nosso súbito encontro:
- E aí cara, beleza? – disse ele, esbarrando furtivamente em meu ombro.
- O que posso dizer? – retruquei secando os respingos de café que haviam caído sobre meu cachecol escocês.
- Viu o jogo do curintia ontem?
- Não faço mais parte dessa massificação desordeira! Deixe-me!
- O que é isso, cara, relaxa! – ele tentou atar-me o braço com a mão.
- Deixe-me – disse, por fim livrando-me de meu captor – Simplesmente: deixe-me!
Este curto, porém intenso diálogo me remeteu a uma época distante onde eu cometi erros imperdoáveis!
Não tenho orgulho em dizer isso, porém, é verdade...Eu já fui um corintiano alienado na  massificação futebolística.
Eu costumava acordar cedo nos dias de jogo apenas para poder encher o isopor de cerveja (o líquido massificado) e passar minha vestimenta corintiana que eu viria a usar no dia. Ligava para todos os meus primos e juntos, passávamos o dia a nos embriagarmos mundanamente e discutirmos tolices incultas.
Ao anoitecer, nos preparávamos para assistir a partida, ligando nosso aparelho de massificação televisiva no canal da Globo, e então assistíamos gritando e cantando nossos hinos maquiavélicos.
Se o time (timão, como eu costumava dizer) vencesse, nós comemorávamos noite adentro...  e se não vencesse, nos divertíamos lembrando de antigos títulos e bebendo de maneira insana e massificada.
Tenho vergonha do meu passado. Hoje em dia, sou uma pessoa muito melhor. Estudo yôga, literatura, sou abstêmio, vegan, faço faculdade de artes cênicas e estou no processo de me encontrar com o meu eu cômico. Não necessito mais de me consolar nas frivolidades comuns da existência.
Explicando a imagem anexada, aí estou eu, em minha época massificada, consolando um amigo meu que chorava porque nosso timão (Corinthians, para os leigos) havia perdido uma partida. Hoje em dia, assim como todos os meus erros, ele não passa de uma lembrança que pouco a pouco evapora diante de meus olhos.
Espero que todos  os que passaram por uma experiência semelhante à minha, encontrem seus caminhos iluminados e cheguem a ser vocês mesmos. .. ou seja, eu como eu sou hoje.


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