Venho por via deste para um desabafo acerca de minha pessoa.
Quinta feira (hoje, para os leigos) lá estava eu no
Starbucks ainda tentando recuperar minha dignidade perdida para a horda de...
de... (oh, é até difícil pronunciar)... corintianos que invadiram os meus
aposentos esfregando em minha cara sua felicidade massificada e portanto, vã!
Porém, agora a pouco encontrei com um ser que ousou ser meu
amigo no passado, e várias lembranças me afloraram à pele.
Vou descrever minimamente nosso súbito encontro:
- E aí cara, beleza? – disse ele, esbarrando furtivamente em
meu ombro.
- O que posso dizer? – retruquei secando os respingos de
café que haviam caído sobre meu cachecol escocês.
- Viu o jogo do curintia ontem?
- Não faço mais parte dessa massificação desordeira!
Deixe-me!
- O que é isso, cara, relaxa! – ele tentou atar-me o braço
com a mão.
- Deixe-me – disse, por fim livrando-me de meu captor –
Simplesmente: deixe-me!
Este curto, porém intenso diálogo me remeteu a uma época
distante onde eu cometi erros imperdoáveis!
Não tenho orgulho em dizer isso, porém, é verdade...Eu já
fui um corintiano alienado na massificação
futebolística.
Eu costumava acordar cedo nos dias de jogo apenas para poder
encher o isopor de cerveja (o líquido massificado) e passar minha vestimenta
corintiana que eu viria a usar no dia. Ligava para todos os meus primos e
juntos, passávamos o dia a nos embriagarmos mundanamente e discutirmos tolices
incultas.
Ao anoitecer, nos preparávamos para assistir a partida,
ligando nosso aparelho de massificação televisiva no canal da Globo, e então assistíamos
gritando e cantando nossos hinos maquiavélicos.
Se o time (timão, como eu costumava dizer) vencesse, nós comemorávamos
noite adentro... e se não vencesse, nos divertíamos
lembrando de antigos títulos e bebendo de maneira insana e massificada.
Tenho vergonha do meu passado. Hoje em dia, sou uma pessoa
muito melhor. Estudo yôga, literatura, sou abstêmio, vegan, faço faculdade de
artes cênicas e estou no processo de me encontrar com o meu eu cômico. Não
necessito mais de me consolar nas frivolidades comuns da existência.
Explicando a imagem anexada, aí estou eu, em minha época
massificada, consolando um amigo meu que chorava porque nosso timão
(Corinthians, para os leigos) havia perdido uma partida. Hoje em dia, assim como
todos os meus erros, ele não passa de uma lembrança que pouco a pouco evapora
diante de meus olhos.
Espero que todos os
que passaram por uma experiência semelhante à minha, encontrem seus caminhos
iluminados e cheguem a ser vocês mesmos. .. ou seja, eu como eu sou hoje.

O mais engraçado foi o bandeirinha grafitando o campo no final do jogo.
ResponderExcluir